Escolas de Samba do Rio e São Paulo referenciam Região Missioneira em seus desfiles
05 de Março de 2019

Região das Missões, símbolos e personagens da história deste território gaúcho foram destaques em três desfiles de escolas de samba da elite do Rio de Janeiro e de São Paulo. Acadêmicos do Tucuruvi, Beija-Flor e Mangueira, lembraram em seus desfiles de episódios como a catequização dos índios, as ruínas de São Miguel e Sepé Tiarajú.

Acadêmicos do Tucuruvi 

Cruz Missioneira estava na comissão de frente da escola.

A primeira escola a fazer a referência foi a paulista Acadêmicos do Tucuruvi. Os cerca de 2.800 componentes do grupo entraram na passarela do Anhembi na madrugada de sábado (2), mas ainda contando pelo primeiro dia dos desfiles do grupo especial do carnaval de São Paulo.

Com uma apresentação sobre a liberdade e enredo cheio de críticas políticas e sociais, a escola trouxe, logo após a comissão de frente, a ala “catequização: resistir para existir”, a qual trouxe para a avenida uma enorme réplica da Cruz Missioneira. Conforme o carnavalesco Dione Leite, ele procurou construir uma história “desde a chegada dos portugueses ao Brasil (com índios no carro abre-alas) às manifestações na Avenida Paulista, em São Paulo”.

Beija-Flor 

Ruínas de São Miguel lembraram o enredo com o qual a escola ganhou o desfile de 2005.

A segunda escola a fazer referência às Missões foi a Beija-Flor, do Rio de Janeiro. Com o enredo: “Quem não viu vai ver… As fábulas do Beija-Flor”,  a escola lembrou os seus 70 anos de carnaval e com isso, do desfile campeão em 2005, o qual foi totalmente voltado aos Sete Povos das Missões.

A escola, que é a atual campeã, foi a quinta a desfilar na madrugada de domingo (3) e fez uma coletânea de seus melhores momentos. O carro abre alas era uma réplica das Ruínas de São Miguel das Missões.

Estação Primeira de Mangueira

Com a Ala Sepé, Mangueira lembrou do líder missioneiro. A última escola a referenciar as Missões foi a tradicional Estação Primeira de Mangueira. A escola desfilou na segunda-feira (4), e teve como enredo “História para ninar gente grande”.

Leandro Vieira, carnavalesco da escola, logo no início do desfile disse que o objetivo era apresentar “um olhar para a história do Brasil interessado nas páginas ausentes. A história de índios, negros e pobres, heróis populares que não foram para os livros. Gente que a gente não aprende na escola. É a história de Sepé Tiarajú, Cunhambebe, Teresa de Benguela, Tandara e tantos outros que não tiveram protagonismo”.

A referência feita pela Mangueira foi justamente na figura de Sepé. Uma ala inteira levou o nome do líder que tentou evitar o massacre dos Guaranis pelas tropas de Portugal e da Espanha.

Com um dos mais elogiados desfiles, a Mangueira ganhou o prêmio Estandarte de Ouro de melhor escola do Grupo Especial em 2019. Esta láurea é organizada desde 1972 pelo Jornal O Globo, e é reconhecida como a segunda premiação mais importante do carnaval carioca.

 

Por Izabél Cristina Ribas

Fonte: Rádio São Luiz com informações da TV Globo

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